Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 41

abril 16, 2013 at 12:56 am Deixe um comentário

John Wycliffe  Wycliffe supervisiona a tradução da Bíblia para o inglês

   “Uma figura alta e delgada, coberta com uma longa toga negra […] a face, adornada com uma comprida barba; ele tinha traços fortes e bem nítidos; os olhos eram claros e penetrantes; os lábios firmemente fechados, um sinal de sua resolução.”   Assim, João Wycliffe apresentou-se diante do bispo de Londres, em 1377, para responder à acusação de heresia. Seu amigo e defensor, João de Gaunt, duque de Lancaster, adentrou pela igreja com passos firmes e resolutos. Um simples detalhe, se Wycliffe deveria ficar em pé ou sentado, tornou-se discussão. Esse pequeno detalhe chegou a se transformar em uma briga calorosa, e João de Gaunt fugiu para preservar sua vida. Podemos imaginar a cena, Wycliffe sendo despachado por seus próprios amigos. Assim foi sua vida. Wycliffe era ousado e franco quanto à sua teologia e à sua educação. Contudo, quando se encaminhou para a política, ficou preso no meio do fogo cruzado da luta de outras pessoas.

   João Wycliffe foi o principal erudito de sua época. As pessoas, por toda a Inglaterra, respeitavam sua sabedoria. A educação universitária era ainda um fenômeno relativamente novo, e Wycliffe pode ser grandemente responsabilizado pela grande reputação de Oxford, onde estudou e lecionou.

   Sua vida, porém, foi marcada pela controvérsia. Tinha o perigoso hábito de dizer o que pensava. Quando seus estudos o levaram a questionar os ensinamentos católicos oficiais, ele realmente o fez. Questionou o direito de a igreja ter poder temporal e de possuir riqueza. Discutiu a venda de indulgências — cartas que, de modo geral, eram consideradas um meio para perdoar os pecados —, o cerimonial da igreja, a adoração supersticiosa de santos e de relíquias, assim como a autoridade do papa. Ele até mesmo questionou a visão oficial da eucaristia (a doutrina da transubstanciação) defendida pelo IV Concilio de Latrão. Apresentava-se, com freqüência, diante de bispos e de concilios para defender essas idéias, e outros posicionamentos que advogava.

   A Inglaterra tinha muito ressentimento contra a Igreja Romana, mesmo no século XIII. A liderança secular era forte na Grã-Bretanha. Os príncipes — e muitos cidadãos — se ressentiam da maneira como a igreja estava apegada ao poder e à riqueza. João de Gaunt, muitas vezes, usava as idéias e a reputação de Wycliffe em suas discussões com a igreja. Como recompensa, ele protegia Wycliffe da hierarquia eclesiástica.

   Wycliffe foi um herói popular durante algum tempo. Seus seguidores, os lolardos — sacerdotes que seguiam a pobreza apostólica e ensinavam as Escrituras às pessoas comuns — viajavam por toda a Inglaterra levando o Evangelho. Conforme sua influência declinou, porém, Wycliffe tornou-se cada vez menos útil a seus benfeitores, inclusive para Lancaster. Uma audiência tumultuada em 1377 resultou no banimento de seus escritos. A oposição se intensificou. Apesar de ser poupado da violência, seus textos foram queimados, e ele foi destituído da posição que tinha em Oxford, ficando proibido de disseminar suas idéias.

   Isso deu a ele tempo para trabalhar na tradução da Bíblia. Wycliffe defendia a idéia de que todo o mundo deveria poder ler as Escrituras na própria língua. “Visto que a Bíblia contém Cristo — tudo o que é necessário para a salvação —, ela é necessária para todos os homens, e não apenas para os sacerdotes”, escreveu ele. Assim, a despeito da reprovação da igreja, juntou-se a outros estudiosos para produzir a primeira tradução completa da Bíblia para o inglês. Usando uma cópia manuscrita da Vulgata, Wycliffe trabalhou arduamente para tornar as Escrituras inteligíveis para seus compatriotas. Uma primeira edição foi publicada. Ela foi aprimorada na segunda edição, que só ficou completa após a morte de Wycliffe. Apesar disso, essa edição ficou conhecida por Bíblia de Wycliffe e foi distribuída, ilegalmente, pelos lolardos.

   Wycliffe sofreu um derrame quando estava na igreja e morreu em 31 de dezembro de 1384. O Concilio de Constança, 31 anos mais tarde, o excomungou, e, em 1428, seus ossos foram exumados e queimados, e as cinzas, espalhadas no rio Swift.

   Ninguém poderia imaginar que suas idéias se espalhariam tão rapidamente pela Europa. O efeito de seus ensinamentos sobre os líderes posteriores, como João Hus, fez com que ficasse conhecido por a “Estrela da manhã da Reforma”. Ele próprio procurou permanecer na Igreja Romana por toda sua vida, mas no coração e na mente de seus ouvintes, a Reforma já estava a caminho.

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