Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 22

fevereiro 15, 2011 at 3:00 pm Deixe um comentário

O Sínodo de Whitby

Havia dois cristianismos na Inglaterra. Um deles era celta, fortemente monástico, contemplativo e voltado às missões. O outro era romano, bem organizado e firmemente ligado ao restante da cristandade.

A missão de Columba a lona resultou no surgimento de uma expansiva comunidade de cristãos de estilo celta, que evangelizaram de maneira agressiva os anglos e os saxões. Pouco antes da morte de Columba, o papa Gregorio enviou Agostinho e cerca de trinta outros monges para a Inglaterra a fim de evangelizar e fazer com que a igreja celta se conformasse com a igreja de Roma. O moderado sucesso de Agostinho concentrou-se especialmente em Kent e Essex. Em 627, Paulino de York estabeleceu a igreja romana na Nortúmbria, mas seus esforços logo fracassaram, quando um rei pagão chegou ao poder. Assim que foi restabelecida ali, a igreja já era celta.

Contudo, no começo do século houve um grande movimento de dupla polinização. As duas tradições não eram por demais diferentes entre si. A maior distinção entre elas era a data na qual celebravam a Páscoa. Embora seus monges também raspassem a cabeça de maneira diferente e houvesse algumas poucas divergências cerimoniais, não fundamentais, tudo era, na verdade, uma questão de poder. Será que o papa governaria a Igreja da Inglaterra, indicando quais bispos liderariam o povo? A tradição celta dava grande poder aos abades que, por sua vez, agiam de maneira bastante independente.

Em função de sua independência, os mosteiros celtas estavam muito vulneráveis aos abusos. No sistema feudal da Idade Média, era vantajoso estabelecer mosteiros falsos para evitar a subserviência aos senhores seculares. Esses mosteiros desfrutavam de independência econômica, mas careciam de motivação espiritual. Embora a igreja celta fosse grandemente conhecida por sua devoção espiritual, abusos como esses podem ter empurrado alguns crentes rumo à política romana, mais severa.

Em 664, o assunto foi levantado por Oswy, o novo rei da Nortúmbria, em uma reunião de cúpula. Ele seguia a tradição celta, mas sua esposa era da tradição romana. Desse modo, ele estaria celebrando a Páscoa enquanto a rainha jejuaria na Quaresma, e isso simplesmente não daria certo. Convocou uma assembléia na região de Whitby, em que a abadessa Hilda dirigia um mosteiro. Ali, o rei ouviu os argumentos de Cedd e Colman, pelo lado celta, e de Wilfrid e Tiago, o Diácono, pelo lado romano. Todos esses homens eram cristãos devotos. Cedd, que era abade, já fundara vários mosteiros. Colman e Wilfrid foram bispos. Wilfrid já servira até mesmo como missionário em Frísia. Tiago levara adiante a obra de Paulino na Nortúmbria durante os momentos difíceis.

Eles discordavam com relação à Páscoa. Os líderes celtas citavam Columba. Os líderes romanos citavam o apóstolo Pedro. Com um sorriso no rosto, o rei anunciou que seguiria a Pedro, uma vez que ele era o guardador das chaves do céu. O ponto de vista romano prevaleceu.

Alguns historiadores argumentam que a decisão provou ser a mais sábia. A igreja inglesa alcançou o melhor dos dois mundos. O espírito celta ainda estava bastante vivo, mas precisava da organização romana para se firmar. Outros lamentaram a perda da oportunidade de se ter uma importante tradição cristã separada e saudável.

Logo após o Sínodo de Whitby, alguns acontecimentos fizeram com que a situação ficasse amarga. Uma praga se abateu sobre a Inglaterra, mais ou menos na época em que o arcebispo de Cantuária morreu. Por cinco anos, a igreja passou por dificuldades em razão de não ter liderança. Então, Teodoro de Tarso chegou para assumir a posição. Agindo de maneira sábia, ele fortaleceu a liderança da igreja, indicando bispos e sacerdotes tanto da tradição celta quanto da romana. O século seguinte foi uma era de ouro na arte e na erudição na Bretanha, à medida que os estilos romano e celta se complementavam mutuamente. Muito disso foi destruído pelas invasões viquingues, mas diversas cruzes de pedra permanecem em pé, esculpidas tanto no estilo celta quanto no romano, simbolizando a interdependência dessas duas tradições.

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