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VISTA DO MEU PONTO – ÍNDIO VÉIO MACANUDO
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 21
Gregorio I se torna papa
Embora não fosse mais a capital do império, Roma ainda possuía prestígio. Além do mais, a antiga cidade tinha ligações com os apóstolos Pedro e Paulo.
Por muitos anos, os bispos de Roma tentaram expandir o poder que conquistaram. Paulatinamente, a cidade alcançou posição de proeminência sobre as outras dioceses, e o bispo de Roma se tornou o papa.
Contudo, o homem que mais contribuiu para o incremento da autoridade e do poder do papado não fez isso buscando o ganho político. O humilde monge, que não procurava altos postos, chegou ao papado contra a própria vontade.
Gregorio nasceu em 540 de uma nobre família romana, que possuía uma história relacionada a serviços prestados na esfera política. Ele se tornou chefe da prefeitura de Roma, o mais alto cargo civil. Porém, não se sentia talhado para a vida pública e acabou renunciando, dividindo suas propriedades para a fundação de mosteiros, vindo a se unir a um deles posteriormente. Alguns anos mais tarde, ele mesmo se tornaria abade.
Sua piedade e, sem dúvida, seu passado de administrador habilidoso atraíram a atenção das pessoas. Em 590, quando o papa morreu, os romanos, de maneira unânime, pediram a Gregorio que se tornasse seu sucessor. Embora Gregorio se recusasse a fazê-lo, a vontade pública prevaleceu.
Como já fora um homem de Estado, o novo papa transpôs sua habilidade de governar para seu novo ofício. Quando os lombardos ameaçaram Roma, Gregorio pediu ajuda ao imperador em Constantinopla. Como esse apoio não chegou, o bispo de Roma reuniu as tropas, negociou tratados e fez tudo o que era necessário para promover a paz. As ações independentes de Gregorio provaram ao exarca do imperador (seu representante que estava em Ravena), que o papa era bastante capaz para manter a ordem em Roma. Esses movimentos políticos se tornariam uma espécie de primeiros passos para a divisão dos cristãos nos impérios do Oriente e do Ocidente.
Gregorio, porém, não tinha ambições políticas. Seus interesses eram espirituais. Extremamente preocupado com o cuidado pastoral, insistia em que o clero visse a si mesmo como um grupo de pastores e servos do rebanho. Dizia que era “servo dos servos de Deus”, e sua obra intitulada Livro do cuidado pastoral — um estudo maravilhosamente criterioso sobre as provações espirituais das pessoas e a maneira pela qual o clero deveria lidar com elas — tornou-se uma espécie de livro-texto ministerial da Idade Média.
Outra obra sua, Diálogos, foi a primeira tentativa de hagiografía — biografia dos santos — que enfatizava o fantástico e o miraculoso, o que acabou por transformar os santos em uma espécie de super-heróis da época. Durante seu papado, a veneração de partes do corpo, de roupas e de outros pertences dos santos foi encorajada, e isso viria a se transformar em uma das principais características da piedade medieval. Por vários séculos, nenhuma igreja poderia se estabelecer se não tivesse alguma relíquia de um santo para ser colocada nela.
Embora Gregorio não afirmasse ser teólogo, algumas de suas crenças se tornaram essenciais para a teologia católica. Ele acreditava no purgatório e ensinava que as missas celebradas a favor dos mortos poderiam aliviar as dores dos que estavam naquele local. Além disso, ajudou a popularizar o ensino de Dionisio Areopagita, que escreveu sobre diversas categorias de anjos. Depois de Gregorio, essas idéias se tornariam grandemente aceitas.
Embora não tenha sido ele o criador do canto gregoriano, Gregorio era bastante interessado na música da igreja (o cantochão deve muito à sua influência).
Além disso, Gregorio autorizou uma missão evangelística à região de Kent, liderada por Agostinho, o missionário que, mais tarde, se tornaria o primeiro arcebispo da Cantuária. Embora o cristianismo já tivesse alcançado a Bretanha, ao enviar essa missão sob a liderança de Agostinho, o papa estava estendendo o poder de Roma àquelas ilhas. O cristianismo, que tinha em Roma sua liderança, começava a tomar forma.
O bispo de Constantinopla afirmava ser o Patriarca Ecumênico (no sentido de “universal” ou “global”).
Gregorio tanto se recusou a aceitar o uso desse título quanto o rejeitou para si mesmo. Tudo o que fez, porém, mostrou que Gregorio via a si mesmo como o pastor-chefe de uma igreja mundial.
Em um espaço de 14 anos, Gregorio realizou tantos feitos que as gerações posteriores o denominavam de Gregorio, o Grande. Talvez ele tenha se tornado grande por ter sido um homem humilde.
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 14
“Senhor, torna-me casto, mas não agora”, disse um intelectual, voltado à sensualidade, que flertava com o cristianismo — e com muitas outras coisas também. Depois de se entregar a Deus, esse homem não mais teria problemas para ser casto e se tornaria um dos mais influentes escritores que a igreja já conheceu.
Esse homem complexo era Aure-lius Augustinus, mais conhecido por Agostinho. Nasceu em 354, na cidade de Tagaste, filho de mãe cristã, Mônica, e de pai pagão, Patrício, que era oficial romano.
Ao perceber o brilhantismo de seu filho, Mônica e Patrício procuraram as melhores escolas para ele. Estudou retórica em Cartago e foi estimulado a ler autores latinos como Cícero. Convencido por seus estudos de que a verdade era o objetivo da vida, em um primeiro momento rejeitou o cristianismo, porque via nele uma religião para as pessoas de mente simples.
Quando era adolescente, Agostinho tomou para si uma concubina que lhe deu um filho. Pelo resto de sua vida, Agostinho olharia para seus dias passados em Cartago com aversão. Na obra chamada Confissões, comenta: “Cheguei a Cartago, onde um caldeirão de amores profanos estava chiando e borbulhan-do ao meu redor”.
O jovem incansável experimentou o maniqueísmo, que ensinava ser o mundo um campo de batalha entre a luz e as trevas, a carne e o espírito. O maniqueísmo, no entanto, não conseguiu satisfazer o desejo de Agostinho de encontrar a verdade definitiva.
Tampouco conseguiu encontrá-la no neoplatonismo.
Assolado pela própria insatisfação espiritual, Agostinho se mudou de Cartago para Roma e depois para Milão, ensinando retórica nessas cidades. Em Milão, ele se encontrou com o bispo Ambrosio e aprendeu que nem todos os cristãos eram pessoas de mente simples, pois aquele homem era brilhante.
Em 387, enquanto estava sentado em um jardim em Milão, Agostinho ouviu uma criança cantar uma música que dizia: “Pegue-a e leia-a, pegue-a e leia-a”. Agostinho leu a primeira coisa que encontrou na sua frente: a epístola de Paulo aos Romanos. Quando leu Romanos 13.13,14, as palavras de Paulo que versam sobre o revestir-se do Senhor Jesus em vez de deleitar-se com os prazeres pecaminosos tocaram profundamente seu coração, e Agostinho creu. “Foi como se a luz da fé inundasse meu coração e todas as trevas da dúvida tivessem sido dissipadas.”
Apesar de Agostinho estar feliz com sua vida monástica tranqüila, sua reputação de cristão brilhante se espalhou. Em 391, ele foi pressionado a ser ordenado sacerdote. Em 395, tornou-se bispo da cidade de Hipona, no norte da África.
Todas as controvérsias de seus dias envolviam o bispo Agostinho. O grupo donatista tinha grande preocupação no sentido de que o clero tivesse a moral adequada. Sob a perseguição do imperador Diocleciano, alguns clérigos entregaram cópias das Escrituras a seus perseguidores para que fossem queimadas. Mais tarde, alguns desses “traidores”, como eram chamados, foram readmitidos no clero. Os donatistas se recusaram a aceitar os “Traidores” e estabeleceram uma igreja rival. Milhares de donatistas viviam na diocese de Agostinho.
Agostinho negava a necessidade de uma igreja rival. Embora, como disse, pudessem existir algumas pessoas que não fossem exatamente santas na igreja, só havia uma igreja. Os sacramentos, que Agostinho definia como sinais visíveis da graça invisível, não eram eficientes em razão da justiça do sacerdote, mas devido à graça de Deus operando por intermédio deles. A visão de Agostinho prevaleceu, e o movimento donatista perdeu força.
Pelágio, um monge inglês, espalhou a heresia em que afirmava que a ação do homem era essencial em sua opção por Deus. Embora a graça de Deus tivesse seu papel, ela não era tudo. Pelágio não ensinava que o homem poderia salvar-se a si mesmo, mas negava que o pecado tivesse sido herdado de Adão.
Agostinho se opôs a essa idéia, dizendo que ninguém poderia escolher o bem a não ser que Deus o levasse a fazer isso. Na verdade, Deus havia predestinado os eleitos, seus redimidos, e nada do que o homem pudesse fazer mudaria o decreto eterno. Em 431, um ano depois da morte de Agostinho, o Concilio de Éfeso condenou oficialmente o pelagianismo.
Agostinho não apenas desafiou a heresia, mas, em sua obra Confissões, descreveu sua busca espiritual, talvez, a primeira autobiografia verdadeiramente espiritual. A famosa frase “inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti” vem do primeiro parágrafo dessa obra.
Pelo fato de os ensinamentos de Agostinho tem se tornado tão fundamental ao cristianismo, não percebemos como ele foi original em seus dias. Seus pensamentos se espalharam tanto entre os teólogos católicos quanto entre os protestantes. Lutero e Calvino o citavam constantemente; gostavam de sua ênfase na graça de Deus e na incapacidade do homem de salvar-se a si mesmo.
Agostinho escreveu centenas de tratados, cartas e comentários. Sua obra clássica, intitulada A Trindade é provavelmente o trabalho mais conhecido sobre o assunto. Entretanto, sua obra mais importante foi A cidade de Deus, trabalho monumental escrito em resposta à queda de Roma diante dos visigodos. Algumas pessoas culparam os cristãos pelo acontecido, e alegavam que Roma caira porque seu povo rejeitara os deuses nativos. Em razão dessas afirmações, Agostinho respondeu defendendo e explicando o plano e a obra de Deus na história. Ele diz que, desde Caim e Abel, sempre houve duas cidades no mundo: a cidade de Deus (os fiéis) e a cidade dos homens (a sociedade paga). Embora elas se inter-relacionem, Deus cuidará para que a cidade de Deus — a igreja — permaneça por toda a eternidade.
Embora Agostinho tenha escrito no final da era antiga, seus pensamentos influenciaram os estudiosos da Idade Média e perduraram até a Reforma.
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 12
A carta de Atanásio reconhece o canon do Novo Testamento
Como o cristão poderia ter certeza dos livros que deveriam constar do Novo Testamento?
Quando Paulo mencionou as Escrituras a Timóteo (“Toda a Escritura é inspirada…”; 2Tm 3.16), ele estava se referindo ao at, mas, mesmo nas páginas do NT, temos indicações de que os cristãos começaram a considerar os evangelhos e as epístolas de Paulo como textos especiais. Ao escrever sobre as epístolas de Paulo, Pedro disse que elas às vezes continham “algumas coisas difíceis de entender”. Todavia, a sabedoria de Paulo fora dada por Deus, e Pedro repreendeu “os ignorantes e instáveis” que distorciam as palavras de Paulo, fazendo o mesmo com “as demais Escrituras” (2Pe 3.16; grifo do autor). Ε óbvio que Pedro começava a perceber que os cristãos tinham alguns textos edificantes além das obras do at.
Os judeus decidiram que alguns livros — os que chamamos hoje de Antigo Testamento — foram claramente inspirados por Deus, ao passo que outros não o eram. Por enfrentar heresias, os cristãos também começaram a sentir a necessidade de distinguir entre escritos verdadeiramente inspirados e os de origem questionável.
Havia dois critérios fundamentais, usados pela igreja para identificar o cânon (kanon é a palavra grega para “padrão”): a origem apostólica e o uso dos textos nas igrejas.
Com relação à origem apostólica, a igreja incluiu Paulo entre os apóstolos. Embora não tenha caminhado com Cristo, Paulo se encontrou com ele na estrada para Damasco. A abrangência de sua atividade missionária — relatada no livro de Atos dos Apóstolos — fez dele o próprio modelo do apóstolo.
Cada evangelho precisava estar relacionado a um apóstolo. Desse modo, o evangelho de Marcos, associado a Pedro, e o de Lucas, relacionado a Paulo, receberam um lugar no cânon. Depois da morte dos apóstolos, os cristãos valorizaram o testemunho dos livros, muito embora não portassem o nome de um apóstolo como autor.
Com relação ao uso dos textos nas igrejas, a orientação parecia ser a seguinte: “Se muitas igrejas usam um texto, e se ele continua a edificá-las, logo esse texto deve ser inspirado”.
Embora esse padrão mostre uma abordagem bastante pragmática, existe uma lógica por trás dele: alguma coisa inspirada por Deus, sem dúvida, inspirará muitos adoradores. O texto que não foi inspirado acabaria, mais cedo ou mais tarde, por cair em desuso.
Infelizmente, esses padrões somente não eram capazes de estabelecer quais seriam os livros do cânon. Diversos textos flagrantemente heréticos carregavam o nome de um apóstolo. Além disso, algumas igrejas utilizavam textos que outras não se preocupavam em usar.
Por volta do final do século II, os quatro evangelhos, o livro de Atos e as epístolas de Paulo eram grandemente valorizadas em quase todos os lugares. Embora não existisse ne nhuma lista “oficial”, as igrejas tinham a tendência crescente de se voltar para esse material como fonte de autoridade espiritual. Bispos influentes como Inácio, Clemente de Roma e Policarpo contribuíram para que esses textos alcançassem ampla aceitação. Contudo, ainda havia muita disputa com relação a He-breus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
A heresia era uma maneira de fazer com que os cristãos ortodoxos esclarecessem suas posições. Até onde sabemos, a primeira tentativa de elaboração do cânon foi feita por Mar-cião, que incluiu apenas dez das treze epístolas de Paulo e o evangelho de Lucas bastante modificado. Mais tarde, outros grupos heréticos defenderiam seus “livros secretos”, normalmente os que tinham o nome de um apóstolo ligado a eles.
Uma lista ortodoxa primitiva, compilada por volta do ano 200, foi o Cânon muratório, elaborado pela igreja de Roma. Ele incluía a maioria dos livros presentes hoje no Novo Testamento, mas adicionava o Apocalipse de Pedro e a Sabedoria de Salomão. Listas posteriores omitiram alguns livros, e deixaram outros, mas continuavam sendo bastante similares. Obras como O pastor, de Hermas, o Didaquê e a Epístola de Barnabé eram muito consideradas, embora as pessoas tivessem dificuldade em considerá-las escritura inspirada.
Em 367, Atanásio, o bispo de Alexandria, influente e altamente ortodoxo, escreveu sua famosa carta oriental. Nesse documento, enumerava os 27 livros que hoje fazem parte do nosso Novo Testamento. Na esperança de impedir que seu rebanho caminhasse rumo ao erro, Atanásio afirmou que nenhum outro livro poderia ser considerado escritura cristã, embora admitisse que alguns, como o Didaquê, pudessem ser úteis para devoções particulares.
A lista de Atanásio não encerrou esse assunto. Em 397, o Concilio de Cartago confirmou sua lista, mas as igrejas ocidentais demoraram muito para estabelecer o cânon. A contenda continuou com relação aos livros questionáveis, embora todos terminassem aceitando o Apocalipse.
No final, a lista de Atanásio recebeu aceitação geral e, desde então, as igrejas por todo o mundo jamais se desviaram de sua sabedoria.
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 11
Embora Tertuliano tivesse outorgado à igreja a idéia de que Deus é uma única substância e três pessoas, de maneira alguma isso serviu para que o mundo tivesse compreensão adequada da Trindade. O fato é que essa doutrina confundia até os maiores teólogos.
Logo no início do século IV, Ario, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensinava que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pensamento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coisa: somente Deus pode ser Deus. Na obra intitulada Thalia, Ario proclamou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ario, somente Deus, o Pai, poderia ser imortal, de modo que o Filho era, necessariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeiramente Deus.
Muitos ex-pagãos se sentiam confortáveis com a opinião de Ario, pois, assim, podiam preservar a idéia familiar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos-divinos da mitologia grega.
Por ser um eloqüente pregador, Ario sabia extrair o máximo de sua capacidade de persuação e até mesmo chegou a colocar algumas de suas idéias em canções populares, que o povo costumava cantar.
“Por que alguém faria tanto estardalhaço com relação às idéias de Ario?”, muitas pessoas ponderavam. Porém, Alexandre, bispo de Ario, entendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisava ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ario fosse condenado por um sínodo, mas esse pastor, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúrbios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e outros clérigos começaram a se posicionar em favor de Ario.
Em função desses distúrbios, o imperador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmente como uma “questão religiosa”. Essa “questão religiosa” ameaçava a segurança de seu império. Assim, para lidar com o problema, Constantino convocou um concilio que abrangia todo o império, a ser realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor.
Vestido com roupas cheias de pedras incrustadas e multicoloridas, Constantino abriu o concilio. Ele disse aos mais de trezentos bispos que compareceram àquela reunião que deveriam resolver o impasse. A divisão da igreja, disse, era pior do que uma guerra, porque esse assunto envolvia a alma eterna.
O imperador deixou que os bispos debatessem. Convocado diante dos bispos, Ario proclamou abertamente que o Filho de Deus era um ser criado e, por ser diferente do Pai, passível de mudança.
A assembléia denunciou e condenou a afirmação de Ario, mas eles precisavam ir além disso. Era necessário elaborar um credo que proclamasse sua própria visão.
Assim, formularam algumas afirmações sobre Deus Pai e Deus Filho. Nessas declarações, descreviam o Filho como “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstanciai com o Pai”.
A palavra “consubstancial” era muito importante. A palavra grega usada pelos conciliares foi homoousios. Homo quer dizer “igual”; ousios significa “substância”. O partido de Ario queria acrescentar uma letra a mais àquela palavra: homoiousios, cujo significado passaria a ser “de substância similar”.
Com exceção de dois bispos, todos os outros assinaram a declaração de fé. Esses dois, com Ario, foram expulsos. Constantino parecia satisfeito com o resultado de sua obra, mas isso não durou muito tempo.
Embora Ário tivesse ficado temporariamente fora do cenário, sua teologia permaneceria por décadas. Um diácono de Alexandria chamado Atanásio tornou-se um dos maiores opositores do arianismo. Em 328, Atanásio tornou-se bispo de Alexandria e continuou a lutar contra aquela facção.
No entanto, a guerra continuou na igreja do Oriente até que outro concilio, realizado em Constantinopla, no ano 381, reafirmou o Concilio de Nicéia. Ainda assim, traços dos pensamentos de Ario permaneceram na igreja.
O Concilio de Nicéia foi convocado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da igreja e do Estado. A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na igreja. Constantino deu início à prática de unir o império e a igreja no processo decisório. Muitas conseqüências perniciosas seriam colhidas nos séculos futuros dessa união.
Missões no Irã
A algum tempo atrás, deixei um vídeo salvo em meus favoritos e esperava o momento certo de postar ele aqui. Não quero dizer que este seja o momento certo, mas estava fazendo uma limpa nos meus favoritos e resolvi postar esse vídeo logo.
O vídeo trata a respeito de uma igreja subterrânea no Irã.
Para você que não sabe o Irã é o 2º país no ranking de países onde os missionários sofrem perseguição.
Um pouco sobre o Irã:
Irã é o nome atual da antiga Pérsia, que foi cenário de muitas histórias bíblicas. Entre elas encontram-se a história de Daniel na cova dos leões, a luta de Ester e Mardoqueu para salvar o povo judeu, e o serviço de Neemias ao rei.
A religião oficial do país é o islamismo, e os Xiitas são a maioria. Existem pequenas minorias de Zoroastras, Bahaístas, Judeus e Cristãos.
A Igreja está presente no país desde épocas remotas, como do Antigo Testamento. Mas, com a chegada do islamismo no Irã, ela começou a sofrer opressão.
Depois da Revolução Islâmica, em 1979, a situação da Igreja mudou drasticamente, resultando na queda do número de cristãos nas igrejas oficiais, principalmente por causa da emigração para outros países.
As igrejas oficiais (registradas no governo) têm, juntas, cerca de 150 mil membros. A maior parte desses é de origem Armênia ortodoxa, mas há também alguns milhares de protestantes e católicos romanos. Quase todos vieram de famílias cristãs.
Não se sabe exatamente o total de ex-muçulmanos.
No geral, a Igreja tem crescido, e de forma estruturada, organizando os cristãos em congregações ou células.
Embora os direitos de Cristãos, Judeus e Zoroastras sejam assegurados pela Constituição, na prática, todos são vítimas de retaliação e perseguição. As restrições e a perseguição ao cristianismo têm se multiplicado rapidamente nos últimos anos.
Os muçulmanos que se convertem ao cristianismo são rotineiramente interrogados e espancados. Além disso, acredita-se que muitos homicídios não esclarecidos são praticados por radicais que freqüentemente ameaçam os cristãos de morte.
Motivos de oração
1. É importante que novos convertidos cresçam no conhecimento do Senhor e da Bíblia. Ore para que haja oportunidades de treinar essas pessoas, e que os métodos e materiais necessários estejam disponíveis e sejam acessíveis.
2. O crescimento traz novos membros para a Igreja, mas também gera mais perseguição. Louve a Deus pelos milhares de cristãos iranianos. Ore para que a Igreja iraniana seja capaz de encontrar meios discretos e criativos para testemunhar.
3. Os líderes da Igreja têm sido duramente perseguidos. Ore pedindo proteção para os cristãos iranianos, em especial para os líderes, vítimas de severa perseguição no passado. Muitos deles foram mortos e outros vivem acuados pelo medo.
4. Muitos mártires cristãos eram chefes de família. Ore por suas viúvas, que têm de cuidar dos filhos com poucos recursos.
5. A população tem ouvido o evangelho pela TV. Receptores de TV via satélite são muito difundidos. Ore para que as transmissões, que varrem o território iraniano, resultem em muitos frutos.
6. Interceda pelas eleições presidenciais que serão realizadas em junho de 2009 no Irã. Ore para que o novo líder seja mais tolerante ao cristianismo e reveja a lei que exige a execução de quem abandona o islamismo.
FONTE: Missões Portas Abertas
Eu odeio todo o seu show
Eu estava procurando alguma coisa boa pra postar aqui… Ae como não achava, e não me vinha idéia alguma na cabeça resolvi ir escutar música.
Comecei a escutar o CD Limbs & Branches do Jon Foreman. Curto muito sua música, a maneira como ele compõe e se você não curte muito acho bom começar a ouvir, hehehe…
Então escutei a música número 8 do CD intitulada Instead of a show, escutei a letra e achei simplesmente um tapa na cara da gente… Cara, vale a pena você escutar essa versão acústica que achei aqui e acompanhar a letra, e caso você não entenda muito o inglês te deixo de lambuja a tradução…
Abraço queridão e espero que essa música te sirva pra reflexão…
Jon Foreman – Instead of a Show
Instead Of A Show
I hate all your show and pretense
the hypocrisy of your praise
the hypocrisy of your festivals
I hate all your show
Away with your noisy worship
Away with your noisy hymns
I stop up my ears when your
singing ‘em
I hate all your show
Instead let there be a flood
of justice
An endless procession of righteous
living, living
Instead let there be a flood
of justice
Instead of a show
your eyes are closed when you’re praying
you sing right along with the band
you shine up your shoes for services
but there’s blood on your hands
you turned your back on the homeless
and the ones that don’t fit in your plans
quit playing religion games
there’s blood on your hands
Ah! let’s argue this out
if your sins are blood red
let’s argue this out
you’ll be white as the clouds
let’s argue this out
quit fooling around
give love to the ones who can’t love at all
give hope to the ones who got no hope at all
stand up for the ones who can’t stand up at all
instead of a show
I hate all your show
Em vez De Um Show
Eu odeio todo o seu show e pretensão
A hipocrisia do seu louvor
A hipocrisia de seus festivais
Eu odeio todo o seu show
Longe da sua adoração barulhenta
Longe dos seus hinos barulhentos
Eu tapo meus ouvidos quando você
os canta
Eu odeio todo o seu show
Em vez disso, deixe que seja uma inundação
de justiça
Um processo sem fim de retidão
Vivendo, vivendo
Em vez disso, deixe que seja uma inundação
de justiça
Em vez de um show
Seus olhos estão fechados quando você ora
Você canta certinho com a banda
Você lustra seus calçados para os serviços
Mas tem sangue em suas mãos
Você virou as costas para o desabrigado
E aqueles que não se encaixam nos seus planos
Terminam fazendo jogos da religião
Tem sangue em suas mãos
Ah! Vamos discutir isso
Se seus pecados são sangue vermelho
Vamos discutir isso
Vocês serão brancos como as nuvens
Vamos discutir isso
Acabam se fazendo de tolos
Dê amor para aqueles que não conseguem amar
Dê esperança para aqueles que não tem
Erga aqueles que não conseguem se erguer
Em vez de um show
Eu odeio todo o seu show
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo Parte 10
A CONVERSÃO DE CONSTANTINO
Era o mês de outubro do ano 312. Um jovem general, a quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchava em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial. Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual podia ler: “Com isto vencerás”. O supersticioso soldado já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o supremo deus Sol. Seria um bom presságio daquele Deus na véspera da batalha?
Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas chi (c) e rho (r), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado.
Conforme prometido, Constantino venceu a batalha.
Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século IV, um período de violentas mudanças. Se você tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver anos no deserto, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Em vez disso, o cristianismo se tornou a religião patrocinada pelo império.
Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz.
Uma das grandes idéias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou césar). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente. Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.
Galério era radicalmente anticristão (há informações que ele atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fez o sinal da cruz). É bem provável que o imperador do Oriente tenha assumido posições anticristãs por instigação de Galério. Tudo isso era parte da reorganização do império, de modo que a lógica era a seguinte: Roma tinha uma moeda única, uní sistema político único e, portanto, deveria ter uma única religião; os cristãos, porém, estavam em seu caminho.
A partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início. As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Terminália, em 23 de fevereiro. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação. Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal. De modo geral, Constantino, que governava o Ocidente, era mais indulgente. Porém, as histórias de horror do Oriente eram abundantes. Até o ano 310, a perseguição tirou a vida de muitos cristãos.
Contudo, Galério foi incapaz de esmagar a igreja. Estranhamente, em seu leito de morte, ele mudou de idéia. Em outro grande momento, no dia 30 de abril de 311, o feroz imperador desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Édito de Tolerância. Sempre político, insistiu em que fizera tudo para o bem do império, mas que “grande número” de cristãos “persiste em sua determinação”. Desse modo, agora era melhor permitir que eles se encontrassem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública. Além disso, declarou: “Será tarefa deles orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado”. Roma precisava de toda a ajuda que pudesse obter. Galério morreu seis dias depois.
O grande plano de Diocleciano, no entanto, começava a ruir. Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, porém, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com o filho, Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, Galério indicava um general de sua confiança, Licínio, para governar o Ocidente. Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental. Eles teriam de lutar por ele. Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso.
Naquele momento, Constantino e Licínio montaram um delicado equilíbrio de poder. Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à igreja. No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão, garantindo a liberdade religiosa dentro do império. “Nosso propósito”, dizia o édito, “é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar”.
Constantino, imediatamente, assumiu o interesse imperial pela igreja: restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.
Assim, a igreja passou de perseguida a privilegiada. Em um período de tempo surpreendentemente curto, suas perspectivas mudaram por completo. Depois de séculos como movimento contracultural, a igreja precisava aprender a lidar com o poder. Ela não fez todas as coisas de maneira correta. A própria presença dinâmica de Constantino modelou a igreja do século IV, modelo que ela adotou daí em diante. Ele era um mestre do poder e da política, e a igreja aprendeu a usar essas ferramentas.
A visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio? Somente Deus conhece a alma. Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, o imperador certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.
Ε certo que Deus usou Constantino para fazer com que as coisas acontecessem para a igreja. O imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial à fé. Ao fazer isso, porém, ele seguiu os passos do moribundo Galério. Assim, a batalha contra a perseguição romana foi vencida, em certo sentido, não na ponte Mílvia, mas nas arenas em que os cristãos entraram para enfrentar bravamente a morte.
That’s all folks
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo PARTE 9
Ufa, fazia tempo que eu não escrevia sobre sobre essa série, ae quando me dei conta corri para o livro e cá estou. O acontecimento de hoje ocorreu por volta do ano 270, é quando “Antão começou sua vida de eremita.”, então acompanha ae queridão…
Antão começa sua vida de eremita
Um dos principais fundadores das comunidades monásticas não tinha em mente a idéia de fundar coisa alguma. Ele estava simplesmente preocupado com a própria condição espiritual e passou a maior parte de sua vida sozinho.
Antão [ou Antônio] nasceu no Egito, provavelmente por volta do ano 250, em uma família de pais abastados que morreram quando contava cerca de vinte anos, deixando para ele toda sua herança. As palavras de Jesus ao jovem rico — “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me “(Lucas 18:22) — mudaram a vida do jovem Antão. A mensagem parecia ter sido direcionada a ele, uma vez que a entendeu literalmente. Doou suas terras aos vizinhos, vendeu suas outras propriedades e repartiu o dinheiro entre os pobres. Colocou-se sob os cuidados de um cristão idoso que lhe ensinou as alegrias da autonegação. Antão optou por comer uma única refeição por dia, composta de pão e água, e passou a dormir no chão.
Com a conversão do imperador Constantino em 312, a situação da igreja mudou drasticamente. Os cristãos saíram da posição de minoria perseguida e tornaram-se membros de uma religião respeitável que desfrutava apoio oficial. Contudo, à medida que grandes multidões começaram a entrar na igreja, ficou mais difícil distinguir entre os que tinham compromisso verdadeiro com Cristo e os que queriam apenas tomar parte da religião popular. A fé se transformou em uma coisa fácil e a sinceridade foi prejudicada.
Cristãos zelosos dessa época, com freqüência, optavam por lutar contra o comprometimento de sua fé afastando-se do mundo. Antão buscou fazer isso e foi viver em uma caverna. De acordo com Atanásio, seu biógrafo, durante doze anos Antão foi cercado por demônios que assumiam formas de vários animais estranhos e que, em alguns momentos, o atacavam, e, em determinada ocasião, quase o mataram. Eles estavam tentando trazer Antão de volta ao mundo dos prazeres sensuais, mas Antão sempre se levantava de maneira triunfante.
Para se afastar ainda mais do mundo, Antão se mudou para um forte abandonado, onde viveu vinte anos sem ver rosto humano. Sua comida lhe era jogada por cima do muro. As pessoas ouviam sobre sua impressionante autonegação e suas batalhas com os demônios. Alguns admiradores ergueram casas rudes próximas ao forte, e, de modo relutante, ele se tornou conselheiro espiritual delas, dando-lhes orientação sobre jejum, oração e obras de caridade. Antão certamente se tornou um modelo de autonegação.
O eremita não conseguiu se desligar totalmente do mundo. Em 311, Maximino, um dos últimos imperadores pagãos, estava perseguindo os cristãos, o que fez com que Antão deixasse sua casa, disposto até mesmo a morrer por sua fé. Em vez disso, ele ministrou aos cristãos que foram condenados a trabalhar nas minas imperiais. Essa experiência o convenceu de que viver a vida cristã poderia ser algo tão santo quanto morrer por ela. Mais uma vez, em 350, ele saiu de casa para defender a ortodoxia contra a heresia ariana, que não fora extinta pelo Concilio de Nicéia (325). Muitas pessoas, incluindo o imperador Constantino, buscavam o conselho espiritual do eremita.
Antão morreu com 105 anos, aparentemente desfrutando vigor físico e mental. Ele insistiu para que fosse enterrado secretamente de modo que nenhum culto se desenvolvesse ao redor de sua sepultura.
Apesar desse cuidado, porém, um culto surgiu. Atanásio, o influente teólogo que teve papel muito importante no Concilio de Nicéia, escreveu uma obra muito popular chamada Vida de Antão, na qual retratava-o como o monge ideal, que podia realizar milagres e discernir entre espíritos bons e maus. Não demorou muito para que a idéia de um verdadeiro guerreiro espiritual que se tornou monge e negou a si mesmo tomasse vulto dentro da igreja.
A prática das comunidades de monges que viviam juntos começou com Pacômio, um jovem companheiro de Antão. Como o austero e individualista Antão, a maioria de seus seguidores também foi eremita. Seja como for, Antão comunicou a idéia de que pessoa verdadeiramente religiosa se afasta do mundo, abstendo-se do casamento, da família e dos prazeres mundanos.
Essa idéia só foi desafiada seriamente na época da Reforma.
*Grifos por minha conta e risco, hehe.
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo PARTE 8
Cipriano escreve Unidade da igreja
Que relação existe entre os membros da igreja e seus líderes? De que maneira a igreja pode disciplinar os membros? Essas são questões que a igreja deve abordar em qualquer época.
As respostas a essas perguntas foram proferidas por Cipriano, que possuíra muita riqueza e nascera pagão em uma família culta, por volta do ano 200. Quando se tornou cristão, renunciou ao seu estilo de vida, doou seus bens e o dinheiro aos pobres e assumiu o voto de castidade. Com relação à sua conversão, escreveu: “O segundo nascimento fez de mim um novo homem por meio do Espírito soprado do céu”.
Professor de retórica e orador famoso, o eloqüente e devoto Cipriano destacou-se entre os membros da igreja, tornando-se bispo de Cartago por volta do ano 248.
Embora tivesse conhecimento dos clássicos gregos e romanos, Cipriano não era teólogo. De modo diferente de Tertuliano, a quem admirava, Cipriano era um homem prático que se importava pouco com as disputas teológicas de seus dias. Ele simplesmente queria a unidade da igreja. Em uma igreja bem desunida, buscou unir os cristãos por meio da autoridade dos bispos.
O imperador romano Décio perseguira os cristãos, e alguns negaram sua fé. Décio não procurava fazer mártires, porque sabia que o martírio simplesmente chamava mais a atenção para o cristianismo. Em vez de matar os cristãos, os torturava, na esperança de que dissessem “César é Senhor”. Os que se rendiam e proferiam essa declaração passaram a ser conhecidos como lapsi.
Os cristãos que se mantinham firmes, denominados “confessores”, normalmente desaprovavam os lapsi. Desse modo, o concilio de bispos estabeleceu regras rígidas em relação à readmissão dos crentes proscritos na igreja. Diante dessa disciplina, um sacerdote chamado Novato deu início a uma igreja rival que oferecia admissão fácil aos lapsi.
Embora não tivesse sofrido por causa de sua fé, Cipriano não conseguia suportar a divisão. Acreditava que os cristãos dedicados deveriam passar pela penitência para provar sua fé. A penitência era composta de um período de tristeza verdadeira, depois do qual a pessoa poderia participar novamente da ceia do Senhor. Depois de o penitente ter “cumprido seu tempo”, ele comparecia diante da congregação vestido de saco e coberto de cinzas para que os bispos pronunciassem o perdão. Cipriano via isso como um sistema graduado: quanto mais grave fosse o pecado, mais penitência a pessoa precisava cumprir. Sua idéia tornou-se popular e passou a ser um dos mais poderosos — e, às vezes, mais abusivos — métodos de disciplina da igreja.
No ano 251, Cipriano convocou o Concilio de Cartago e leu Unidade da igreja, seu trabalho principal, que teve profunda influência sobre a história da igreja. A igreja, conforme argumentou, é uma instituição divina — a noiva de Cristo — e somente pode haver uma noiva. Somente na igreja as pessoas poderiam alcançar a salvação; fora dela, há somente escuridão e confusão. Fora da igreja, os sacramentos e os pastores — e até mesmo a Bíblia — não tinham importância. O indivíduo não poderia viver a vida cristã em contato direto com Deus; ele precisava da igreja. Uma vez que Cristo estabelecera a igreja sob autoridade de Pedro, a Pedra, Cipriano disse que todos os bispos eram, em certo sentido, sucessores de Pedro e, portanto, deveriam ser obedecidos. Embora não declarasse que o bispo de Roma estava acima dos outros, Cipriano via o episcopado como especial em razão da conexão de Pedro àquela cidade.
Afirmações de Cipriano como “Fora da igreja não há salvação” e “Ninguém pode ter Deus como Pai se não tiver a igreja como mãe” encorajavam as pessoas a dar aos bispos lugar de grande importância. O bispo era capaz de determinar quem podia fazer parte da igreja, o que, com efeito, é o mesmo que ter o poder de dizer: “Você está salvo; você não está salvo”. Em vez de confiar na obra do Espírito Santo por meio da igreja como um todo, Cipriano deixou implícito que o Espírito Santo trabalhava por meio dos bispos.
Os bispos, naturalmente, ganharam poder com a disseminação dessas idéias. Cipriano também promoveu a idéia de que a missa era o sacrifício do sangue e do corpo de Cristo. Uma vez que os sacerdotes agiam como representantes de Cristo, oferecendo novamente o sacrifício em todos os cultos de adoração, isso somente serviu para lhes aumentar o poder.
Cipriano morreu durante a perseguição do imperador Valeriano. Pelo fato de ter se recusado a oferecer sacrifícios aos deuses pagaos, o bispo de Cartago foi decapitado em 258.
A igreja da época de Cipriano, caracterizada pela desunião, apegou-se às suas idéias. O bispo não poderia ter previsto as conseqüências dos meios pelos quais procurou manter a igreja unida. Na Idade Média, alguns homens incrivelmente gananciosos e imorais exerceriam o ofício de bispo, usando-o em benefício próprio, em vez de cuidar dos assuntos espirituais. A estrutura hierárquica que criou a “união”, também provocou uma enorme divisão entre o clero e os leigos.





